domingo, 11/10/2026
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A abstenção eleitoral e o peso dos ausentes nas urnas

A abstenção eleitoral atingiu patamares preocupantes no último pleito, revelando um fenômeno que ganha força a cada ciclo democrático. No domingo, 4 de outubro, enquanto o Brasil acompanhava a contagem dos votos, um dado silencioso chamava a atenção: 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas.

Esse número representa que, a cada cinco eleitores aptos, um optou por não votar. Com uma taxa de 21,08%, o país registrou o maior índice de ausência desde 1998. Esse crescimento é constante desde 2006, independentemente do governo ou do cenário político vigente.

O impacto da abstenção eleitoral no cenário político

Para compreender a dimensão desse silêncio, basta observar a diferença entre os candidatos que avançaram ao segundo turno: pouco mais de 2,2 milhões de votos. Os eleitores ausentes superam essa margem em quinze vezes. Se esse grupo fosse um partido político, seria a terceira maior força do país, embora sem rosto, programa ou voz.

Mato Grosso reflete essa tendência nacional de forma acentuada. Com cerca de 22% de abstenção, o estado posicionou-se entre os cinco com maior índice de faltosos. Mais de um em cada cinco mato-grossenses deixou de exercer seu direito de escolha para cargos executivos e legislativos.

Diversos fatores explicam esse distanciamento do eleitorado:

  • Dificuldades logísticas, como falta de transporte e distância dos locais de votação.
  • Desgaste causado por sucessivas crises políticas e escândalos de corrupção.
  • Mudança geracional, onde o voto é visto como rotina e não como conquista.
  • Impedimentos técnicos, como títulos eleitorais registrados em outros municípios.

A história de Mato Grosso guarda uma conexão simbólica com esse tema. Em 1984, o deputado cuiabano Dante de Oliveira liderou a luta pelas Diretas Já. Naquela ocasião, a emenda que permitiria eleições diretas para presidente foi derrotada não por votos contrários, mas pela ausência de 113 parlamentares no plenário.

Quatro décadas depois, a terra de Dante figura entre as regiões com maior número de ausentes. Portanto, é fundamental questionar o que ocorre com um direito quando ele deixa de ser exercido. A democracia permanece como o único poder repartido de forma igualitária entre todos os cidadãos.

Diferente de outras esferas da vida social, como o mercado ou o sistema de saúde, a urna trata todos com o mesmo peso. Contudo, esse poder exige vigilância constante. Ele não se protege apenas contra ataques externos, mas também contra o desuso.

Um direito negligenciado não desaparece subitamente. Ele perde sua força gradualmente, tornando-se vulnerável até que seja retirado sem que a sociedade perceba. Para acompanhar mais análises sobre o cenário político, confira as últimas notícias em nossa categoria de política.

Fonte: rdnews.com.br

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