segunda-feira, 14/09/2026
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A trajetória da política mato-grossense: do domínio dos grupos à fragmentação atual

Historicamente, o processo eleitoral em Mato Grosso, desde o ano de 1967, foi regido pela influência direta de grupos políticos organizados. Mesmo antes desse período, quando os partidos instituídos após a Constituição de 1946 foram dissolvidos, a dinâmica das disputas sempre orbitou em torno dessas agrupações de poder.

Com o início do processo de abertura política conduzido pelo regime militar, o cenário bipartidário, composto pela Arena (situação) e pelo MDB (oposição), começou a se fragmentar, dando origem a uma multiplicidade de novas siglas. Inicialmente, essas legendas surgiram com pouca força própria, dependendo inteiramente da coesão e do suporte de lideranças políticas tradicionais para sobreviverem.

Com o passar do tempo, esses partidos passaram a incorporar novas figuras vindas do interior do estado, o que permitiu tanto às agremiações quanto aos grupos de poder consolidarem sua influência. Contudo, a estrutura fundamental desse sistema ainda mantinha raízes profundas na base formada pela Arena e pelo MDB originais.

Após o desmembramento do estado de Mato Grosso, ocorrido em 1977, tanto a antiga Arena quanto o MDB geraram novas ramificações partidárias. Foi nesse contexto que emergiram as grandes lideranças que dominariam a política regional por décadas, destacando-se, primordialmente, dois blocos principais: um sob a batuta do deputado federal Júlio Campos e outro liderado pelo deputado federal Carlos Bezerra. A cada pleito, esses grupos expandiam sua base e polarizavam o debate eleitoral.

O cenário sofreu uma alteração significativa em 1994, quando o deputado federal Dante de Oliveira deixou o PMDB para ingressar no PSDB. A partir desse movimento, a polarização passou a ser disputada entre novas frentes: o PFL, capitaneado por Júlio Campos, e o PSDB, sob a liderança de Dante de Oliveira, que logrou êxito na eleição para o governo estadual em 1994 e garantiu sua reeleição em 1998.

A dinâmica política regional enfrentou uma ruptura definitiva no ano de 2002. A entrada do então novato Blairo Maggi no cenário eleitoral alterou as regras do jogo, isolando as figuras que, até então, comandavam as decisões políticas e os rumos do estado.

Atualmente, observa-se um cenário eleitoral que parece carecer de uma estrutura sólida, sem um norte definido. Existe a percepção de que a voz mais influente no processo político contemporâneo tenha se tornado a dos marqueteiros, em detrimento da articulação política tradicional que outrora definia os rumos de Mato Grosso.

Fonte: midianews.com.br

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