segunda-feira, 14/09/2026
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Presidente do TCE defende choque de gestão para superar crise hídrica em Várzea Grande

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu a implementação de um rigoroso “choque de gestão” como medida essencial para enfrentar o colapso crônico no abastecimento de água e no sistema de esgotamento sanitário em Várzea Grande. Segundo o conselheiro, a reversão do atual cenário de precariedade depende de um volume de investimentos na casa dos bilhões de reais, além de uma articulação política robusta para assegurar o aporte de recursos necessários.

A declaração foi feita durante uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (12), no Ginásio Fiotão. O encontro teve como objetivo central debater a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e discutir a modelagem para a concessão dos serviços de água no município. Sérgio Ricardo enfatizou que sua presença no evento transcende o cargo institucional, motivada pelo compromisso com o futuro da segunda maior cidade de Mato Grosso.

O conselheiro ressaltou que o município sofre com um abandono histórico. Atualmente, Várzea Grande perde quase 60% da água que produz, enquanto a cobertura de esgoto atinge menos de 29% da área urbana. Para o presidente do TCE, o desafio é monumental: “71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Não resolveremos isso com milhões; serão necessários bilhões. Estudos indicam investimentos entre R$ 2 e R$ 3 bilhões, valor que pode ser ainda maior devido à inexistência de infraestrutura adequada”, afirmou.

Os dados apresentados baseiam-se em um levantamento técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta um cronograma de investimentos até 2060. Para alcançar a meta de universalização de 90% até 2033, o plano prevê a expansão da rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros. Sérgio Ricardo foi enfático sobre a necessidade de obras profundas: “É preciso escavar a cidade inteira. Em muitos locais, a água chega, mas a rede está deteriorada e rompida, impossibilitando a distribuição adequada”.

A audiência pública representa a sétima etapa do cronograma estabelecido pela Prefeitura de Várzea Grande. O próximo passo será o envio do PMSB para análise e votação na Câmara Municipal. A prefeita Flávia Moretti destacou a importância da segurança jurídica nesse processo: “Com o diagnóstico avançando para o Legislativo, garantimos que o plano se torne uma política de Estado, independente de quem esteja na gestão, pois o saneamento é uma necessidade permanente da população”.

O cenário atual é crítico: apenas 53,88% dos domicílios possuem acesso à rede de água. A falha no serviço impacta diretamente o cotidiano dos moradores, com 73,9% relatando interrupções constantes. O aposentado Benedito da Costa, morador do bairro Mangabeira, exemplificou o drama enfrentado pelas famílias: “Pagamos pela água, mas dependemos de caminhão-pipa duas vezes por semana. Temos que racionar cada gota para toda a família. Pedimos que a prefeita resolva esse problema, é o que a população espera”.

A busca por soluções para o saneamento em Várzea Grande também é conduzida por uma mesa técnica do TCE-MT, instaurada em dezembro de 2025. O grupo trabalha na construção de uma alternativa técnico-jurídica para o contrato com o Consórcio Lumevix, responsável pela Sub-Bacia 02 e pela Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Santa Maria. Contratadas em 2016, as obras deveriam ter sido concluídas em um ano, mas permanecem paralisadas há quase nove anos devido a impasses judiciais, problemas ambientais e reprogramações financeiras.

Fonte: jornaldematogrosso.com.br

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