A indústria de Mato Grosso enfrenta um desafio estrutural significativo em relação à qualificação de sua mão de obra. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), analisados pelo Observatório de Mato Grosso, o setor contava com 203,5 mil trabalhadores formais em 2025. Esse contingente representa um avanço em relação aos 197,9 mil registrados no ano anterior, acompanhando a expansão do número de estabelecimentos industriais no estado.
Apesar do crescimento do setor, que responde por 15% do PIB estadual, o nível de escolaridade dos colaboradores ainda apresenta defasagem. O Anuário da Indústria de Mato Grosso 2026 revelou que, em 2024, apenas 9,17% dos trabalhadores possuíam curso superior completo. Em 2025, esse índice apresentou uma leve melhora, atingindo cerca de um em cada onze profissionais, enquanto a maioria do quadro, 54,5%, detinha apenas o ensino médio.
indústria de Mato Grosso
O cenário exige uma transformação urgente, visto que o Mapa do Trabalho Industrial projeta a necessidade de qualificar 210 mil pessoas entre 2026 e 2027. Deste total, 179 mil referem-se a trabalhadores que já atuam no setor e precisam atualizar competências, enquanto 31 mil são novos ingressantes. Fernanda Campos, diretora regional do Senai MT, destaca que a evolução tecnológica, impulsionada pela digitalização e inteligência artificial, torna a formação superior um diferencial estratégico.
A demanda por profissionais mais preparados reflete-se diretamente nas vagas abertas. Um levantamento do Instituto Euvaldo Lodi (IEL MT), realizado entre julho e agosto de 2026, identificou que 12,3% das oportunidades de emprego exigiam ou consideravam a formação superior. Esse dado reforça a tendência de busca por perfis mais técnicos e especializados pelas empresas locais.
Além da qualificação, o setor lida com a baixa representatividade feminina. Atualmente, as mulheres ocupam apenas 22,3% dos postos de trabalho formais na indústria mato-grossense. Para especialistas, a inclusão feminina em áreas de tecnologia e gestão é fundamental para a inovação. Entre os pontos principais do cenário atual, destacam-se:
- O setor industrial representa 16% do emprego formal no estado.
- A necessidade de qualificação abrange 210 mil pessoas nos próximos dois anos.
- Apenas 9,17% dos trabalhadores possuíam graduação completa no recorte de 2024.
Para suprir essas lacunas, o Centro Universitário do Senai Mato Grosso (UniSenai MT) tem estruturado seus cursos em parceria direta com a indústria. A instituição oferece 14 graduações focadas em áreas como Automação Industrial, Engenharia de Software e Segurança Cibernética. Para 2027, a grade será ampliada com cursos de Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Mecatrônica Industrial.
A trajetória de profissionais como a analista de negócios Letícia Barros ilustra a importância dessa formação. Após cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas, ela conseguiu migrar para uma posição de gestão, liderando equipes e remodelando processos produtivos com o auxílio da tecnologia. Para mais informações sobre o mercado, consulte a nossa categoria de economia.
Portanto, o desenvolvimento econômico de Mato Grosso depende diretamente da capacidade de alinhar a educação superior às novas exigências produtivas. Aumentar a escolaridade e promover a diversidade no ambiente industrial são passos essenciais para que o estado acompanhe a complexidade da manufatura avançada e da sustentabilidade.
Fonte: rdnews.com.br


