terça-feira, 15/09/2026
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Crise de combustível no Irão gera filas quilométricas e aumenta tensão em Teerão

Longas filas de veículos estenderam-se por quilômetros nos postos de combustíveis de Teerão e de outras cidades iranianas durante a madrugada desta quinta-feira. O cenário, marcado por uma corrida desesperada aos postos, foi impulsionado por rumores de desabastecimento e pela confirmação oficial de que o governo pretende elevar os preços da gasolina, embora detalhes sobre prazos e valores ainda não tenham sido divulgados.

Registros em redes sociais mostraram aglomerações de carros na capital e na cidade vizinha de Karaj logo após a meia-noite de quarta-feira. Muitos estabelecimentos foram forçados a encerrar as atividades precocemente após esgotarem seus estoques diante da alta demanda. Embora o governo atribua a situação a boatos, a magnitude do problema aponta para uma crise estrutural profunda.

O país enfrenta um déficit diário de cerca de 15 milhões de litros de combustível. Esse desequilíbrio é reflexo direto das sanções impostas pelos Estados Unidos, que restringiram as importações, somado a ataques contra infraestruturas de refino e ao bloqueio naval imposto aos portos iranianos desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.

Mohammad Sadegh Azimifar, diretor-geral da Companhia Nacional de Refinação e Distribuição de Produtos Petrolíferos, admitiu que o consumo na província de Teerão saltou 30%, mas defendeu que a cadeia de suprimentos permanece sob controle. Segundo ele, a busca desenfreada pelos postos é motivada apenas por especulações infundadas.

No mesmo sentido, Keramat Veis-Karami, diretor da Companhia Nacional de Distribuição de Combustível, informou que a média diária de distribuição subiu de 138 milhões de litros, registrados no mês de Mordad, para 150 milhões na última quarta-feira. Ele classificou o pânico como injustificado e apelou para que os motoristas evitem os postos, a menos que seus tanques estejam realmente vazios.

Apesar das tentativas de acalmar a população, o vice-presidente para Assuntos Executivos, Mohammad Jafar Ghaempanah, confirmou a necessidade de reajustes. Em declaração à televisão provincial de Gilan, ele afirmou que o governo precisa alterar os preços da gasolina e do diesel, argumentando que o atual sistema de subsídios é desigual, beneficiando desproporcionalmente quem possui veículos.

Ghaempanah ressaltou que o formato e o cronograma do aumento ainda estão em fase de discussão com as partes interessadas. O governo de Pezeshkian, contudo, ainda não estabeleceu uma data oficial para a medida, ciente do histórico explosivo que o tema carrega no país.

Aumentos nos preços dos combustíveis no Irão são historicamente gatilhos para instabilidade política. Em novembro de 2019, uma tentativa semelhante resultou em uma das repressões mais violentas desde a revolução de 1979, com um saldo estimado de 1.500 mortos. Mais recentemente, em dezembro de 2025, o país enfrentou protestos generalizados contra a hiperinflação, que foram contidos com força letal pelas forças de segurança.

Além das dificuldades operacionais, há relatos de bastidores sobre um possível conflito entre a Guarda Revolucionária (IRGC) e o governo central. Especula-se que a Guarda estaria resistindo ao uso irrestrito das reservas estratégicas de combustível por parte da administração de Teerão, embora nenhuma das partes tenha confirmado publicamente o impasse.

O contrabando também agrava a escassez. Na semana passada, autoridades desmantelaram um oleoduto clandestino de seis quilômetros, enterrado sob a areia e o mar no sul do país, usado para desviar combustível. Em Bandar Abbas, a unidade de segurança marítima apreendeu mais de 12 mil litros de diesel contrabandeado, avaliados em cerca de 10 mil euros no mercado paralelo.

Fonte: pt.euronews.com

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