terça-feira, 15/09/2026
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Entregador baleado por policial penal relata superação e sequelas: “É um milagre estar vivo”

O entregador Carlos Felipe Magalhães, de 34 anos, que foi vítima de disparos efetuados pela policial penal Jorcenilma Franca Viegas, de 46, em Cuiabá, descreveu sua sobrevivência como um verdadeiro “milagre”. Após receber alta hospitalar, o trabalhador enfrenta uma rotina de limitações físicas, dependendo integralmente de seus pais para realizar tarefas básicas do cotidiano enquanto se recupera em uma cadeira de rodas.

Em relato recente, Carlos detalhou as dores intensas que ainda sente na região lombar e na coluna, locais atingidos por dois dos três projéteis que o acertaram. Além do sofrimento físico, ele enfrenta dificuldades respiratórias, problemas para se alimentar e limitações na fala, agravadas pelo fato de um fragmento de bala ter ficado alojado em seu pulmão.

O entregador relembrou a gravidade de seu estado logo após o atentado, mencionando que as expectativas médicas eram pessimistas. Segundo ele, os profissionais de saúde chegaram a orientar seus familiares a se prepararem para o pior, dada a complexidade da primeira cirurgia a qual foi submetido. “Foi um plano de Deus, porque foi uma coisa que ninguém esperava”, declarou.

Atualmente, a rotina de Carlos é marcada pela adaptação a uma nova realidade. Ele consegue dar apenas alguns passos curtos antes de ser vencido pela exaustão, o que o obriga a permanecer a maior parte do tempo sentado. O entregador enfatiza que, embora se esforce ao máximo na recuperação e na alimentação, está consciente de que sua vida não retornará à normalidade que possuía antes do crime.

No âmbito administrativo, a situação da agressora também sofreu alterações. Jorcenilma Franca Viegas foi afastada de suas funções na Polícia Penal por determinação do secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho. A medida ocorreu após a prisão preventiva da servidora, decretada em 5 de agosto sob a acusação de tentativa de homicídio.

A Secretaria de Estado de Justiça informou que um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado em 29 de julho para apurar a conduta da policial, procedimento que pode culminar em sua demissão definitiva do serviço público. Contudo, em 9 de agosto, a Justiça de Mato Grosso concedeu a liberdade à servidora, impondo o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.

As investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) esclareceram a dinâmica do ocorrido. Carlos havia se dirigido à residência da policial para devolver um celular que a filha dela havia perdido. A entrega foi previamente combinada, e o entregador receberia uma recompensa de R$ 100 pelo serviço.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o entregador entrega o aparelho à jovem. Logo em seguida, a policial surge armada, ordena que o rapaz se deite no chão e dispara mais de dez vezes. A versão inicial apresentada por Jorcenilma, de que o entregador teria tentado desarmá-la, foi desmentida pelas imagens analisadas durante o inquérito policial.

Carlos foi atingido por três disparos — um na perna direita e dois nas costas — e precisou ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde lutou pela vida. O caso segue sob acompanhamento das autoridades judiciárias e administrativas do estado.

Fonte: midianews.com.br

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