segunda-feira, 14/09/2026
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Diagnóstico tardio reduz drasticamente chances de cura no câncer de pulmão

O câncer de pulmão é amplamente reconhecido por sua natureza silenciosa, o que frequentemente retarda a busca por auxílio médico. Segundo o oncologista Igor Morbeck, integrante do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, a realidade global é preocupante: entre 70% e 80% dos diagnósticos ocorrem quando a doença já está em fase avançada ou com metástase. No Brasil, o cenário é ainda mais crítico.

Uma análise realizada pela plataforma Data Câncer 360º, que examinou 14.145 registros do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023, aponta que 89,6% dos pacientes — totalizando 7.267 pessoas — receberam o diagnóstico já nos estágios 3 ou 4. Nesses níveis, as possibilidades de cura são significativamente reduzidas. Em contrapartida, apenas 698 pacientes (10,4%) identificaram o tumor nas fases iniciais, sendo 307 no estágio 1 e 391 no estágio 2.

Para o especialista, o aumento na incidência da doença está diretamente ligado à exposição crescente a fatores de risco, como o tabagismo, o sedentarismo, a obesidade e hábitos alimentares inadequados. Morbeck enfatiza que o câncer de pulmão figura entre os mais incidentes na população brasileira e recomenda que grupos de risco, especialmente fumantes e ex-fumantes, realizem tomografias anuais, exame que já está disponível na rede pública.

Contudo, o médico aponta uma falha estrutural grave: a ausência de um programa nacional de rastreamento voltado à prevenção e detecção precoce. Como a enfermidade é silenciosa, seus sintomas iniciais — como tosse persistente, leve falta de ar ou quadros que mimetizam gripes, bronquites e asmas — acabam sendo subestimados pelos pacientes, que postergam a investigação clínica.

O estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida reforça que o índice de 90% de diagnósticos tardios no Brasil evidencia gargalos severos no acesso ao SUS. Morbeck defende a implementação de políticas públicas que foquem na prevenção ativa, especialmente para tabagistas e pessoas que cessaram o hábito nos últimos 15 anos, uma recomendação também endossada por diversas sociedades médicas nacionais.

Outro ponto crítico levantado pela pesquisa é a precariedade da informação oncológica pública. Em 40% dos casos, não há registro sobre o tamanho do tumor ou a presença de metástases, muitas vezes porque o diagnóstico é tentado apenas por meio de radiografias de tórax, um exame considerado inadequado para a complexidade do câncer de pulmão. O uso de antibióticos sem a investigação por tomografia acaba mascarando a evolução da doença.

O oncologista alerta que essa realidade é comum em todo o território nacional, com destaque para as regiões Sudeste e Sul, onde a incidência é elevada. Além disso, o especialista manifesta preocupação com o uso de cigarros eletrônicos entre os jovens, que cria uma dependência rápida e projeta problemas de saúde pública graves para o futuro.

Para otimizar recursos, Morbeck sugere que o Ministério da Saúde utilize agentes comunitários para identificar famílias com alto risco e agendar tomografias preventivas. Segundo ele, o custo de um diagnóstico precoce é infinitamente menor do que o tratamento prolongado de um paciente em estágio avançado. As projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimam que, entre 2026 e 2028, o Brasil terá cerca de 35.380 novos casos anuais, sendo que, apenas em 2024, a doença vitimou 32.555 pessoas.

A história de Mônica Chain Montone, paciente do Instituto Lado a Lado pela Vida, ilustra a importância do diagnóstico precoce. Após enfrentar o câncer em 2008 e uma recidiva em 2010, ela destaca que o tabagismo foi o gatilho, mesmo tendo parado de fumar uma década antes. Graças à descoberta inicial na primeira ocorrência, suas chances de cura foram estimadas em 94%. Hoje, Mônica realiza acompanhamento anual com tomografias de baixa radiação e atua como voz ativa na conscientização sobre a doença.

A campanha Respire Agosto, promovida pelo Instituto, busca justamente alertar para o fato de que o câncer de pulmão é uma das principais causas de morte evitável no mundo, visto que 85% dos casos estão associados ao tabagismo. A conscientização, segundo os especialistas, é o primeiro passo para mudar as estatísticas brasileiras.

Fonte: jornaldematogrosso.com.br

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