segunda-feira, 14/09/2026
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Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde de 82%, aponta CNC

O cenário financeiro das famílias brasileiras atingiu um novo marco em julho, com o indicador de endividamento alcançando 82%. Este é o sexto mês consecutivo em que o índice registra recorde, superando os 81,6% observados em junho e os 78,5% registrados no mesmo período do ano anterior.

Apesar do aumento no número de famílias com dívidas — que englobam modalidades como cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais, carnês de lojas e financiamentos de veículos ou imóveis —, a parcela de consumidores com contas em atraso, ou seja, a inadimplência, apresentou uma leve retração. O índice caiu para 29,8% em julho, frente aos 29,9% de junho e aos 30% registrados há um ano.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com 18 mil famílias em todo o território nacional. O estudo também aponta que o tempo médio de atraso nos pagamentos recuou para 64,6 dias, mantendo uma trajetória de queda iniciada em abril.

Em termos de comprometimento orçamentário, as famílias destinam, em média, 29,5% de sua renda para o pagamento de dívidas, com um prazo médio de duração de 7,2 meses. A CNC ressalta que o endividamento, por si só, não é um indicador negativo, visto que o crédito é um motor importante para o consumo e para o aquecimento da economia. Contudo, a instituição alerta que o cenário se torna preocupante quando as famílias perdem a capacidade de honrar seus compromissos financeiros.

O cartão de crédito permanece como o principal vilão do endividamento, sendo citado por mais de 85% dos entrevistados. A pesquisa detalha que o problema é mais acentuado entre as famílias de menor renda: 84,9% dos lares que recebem até três salários mínimos possuem dívidas, enquanto, entre aqueles com renda superior a dez salários, a proporção cai para 72%. A inadimplência segue a mesma lógica, atingindo 38,5% dos mais pobres contra 15,1% dos mais ricos.

O levantamento foi divulgado logo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciar o ajuste da taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, avalia que a redução dos juros é um passo positivo para o custo do crédito, embora os efeitos não sejam imediatos. Segundo ele, a medida tende a favorecer a renegociação de dívidas em condições mais vantajosas no futuro.

Bentes pondera que a recuperação do poder de compra das famílias será um processo gradual, condicionado ao comportamento da inflação. A expectativa é que a continuidade da flexibilização monetária possa aliviar o orçamento doméstico, especialmente das camadas de menor renda. No entanto, as projeções da CNC indicam que o endividamento deve seguir em trajetória ascendente nos próximos meses, podendo chegar a 82,6% em setembro, com a inadimplência estimada em 30,3% para o mesmo período.

Fonte: jornaldematogrosso.com.br

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