terça-feira, 15/09/2026
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Uso de canetas emagrecedoras exige cautela contra perda de massa muscular

Os medicamentos popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras têm se destacado como ferramentas eficazes no tratamento da obesidade. No entanto, especialistas alertam que o uso dessas substâncias está frequentemente associado a riscos como a perda de massa muscular e deficiências de vitaminas, especialmente quando o paciente não adota mudanças consistentes em sua rotina alimentar e na prática de exercícios físicos.

Em entrevista, o endocrinologista Marcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador na Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), esclarece que esses fármacos, pertencentes à classe dos agonistas do receptor GLP-1, exigem monitoramento rigoroso para evitar efeitos adversos graves.

O mecanismo de ação desses medicamentos promove uma redução acentuada do apetite e retarda o esvaziamento gástrico. Consequentemente, muitos pacientes acabam restringindo drasticamente a ingestão de alimentos, o que resulta em um consumo insuficiente de nutrientes essenciais, como proteínas e vitaminas, fundamentais para a manutenção da saúde.

“Quando o tratamento é iniciado, é preciso dar prioridade à densidade nutricional. O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes”, ressalta o médico. A estratégia nutricional é, portanto, um pilar indispensável durante todo o processo de perda de peso.

Para garantir a preservação da musculatura, o especialista recomenda metas específicas de ingestão proteica: cerca de 1,2 grama por quilo de peso corporal ao dia para indivíduos jovens e saudáveis, e até 1,5 grama por quilo para idosos ou pessoas com risco de sarcopenia, que é a perda progressiva de massa muscular.

O acompanhamento clínico deve incluir o monitoramento constante da massa magra. Ferramentas como a bioimpedância, realizada em consultório, e a densitometria de corpo inteiro, feita em laboratório, são essenciais. Além disso, testes de força, como o de preensão manual (hand grip), ajudam a assegurar que a perda de músculo não ultrapasse 25% do peso total eliminado.

Mancini alerta que o uso dessas canetas sem a devida supervisão profissional pode desencadear queixas frequentes, como queda e afinamento capilar, além de sintomas gastrointestinais persistentes. Entre os efeitos colaterais mais relatados estão náuseas, constipação, flatulência e uma sensação de estufamento abdominal acima do habitual.

Diante desse cenário, o endocrinologista reforça a necessidade de uma abordagem integrada. “É importante o trabalho de uma equipe multidisciplinar, com orientação do endocrinologista, do nutricionista e do educador físico no tratamento”, pontua.

Por outro lado, pacientes que seguem as recomendações médicas relatam experiências positivas. Amanda Vila Nova, mentora de mulheres, destaca que o tratamento com acompanhamento especializado permitiu um emagrecimento eficaz sem prejuízos à saúde. “Não tive queda de cabelo nem unha enfraquecida pelo fato de ser acompanhada e fazer a reposição de vitaminas de forma correta”, relata, enfatizando que a qualidade de vida foi preservada durante todo o processo.

Fonte: midianews.com.br

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