segunda-feira, 14/09/2026
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Seca extrema causa morte de centenas de toneladas de peixes na Hungria

Um desastre ambiental atingiu Rétimajor, nas proximidades de Simontornya, na Hungria, onde centenas de toneladas de peixes morreram durante o mês de agosto. O local abriga um dos maiores complexos de piscicultura do país, com uma extensão de aproximadamente 800 hectares, remanescente dos antigos pântanos de Sárrét.

O proprietário do complexo, Ferenc Lévai, que adquiriu a área em 1994, tem investido na transformação do espaço em um centro agro-turístico, embora a criação de peixes permaneça como sua principal atividade econômica. A região, composta por lagoas rasas, canaviais e ilhas, é um habitat de extrema importância ecológica, sendo protegida pela rede Natura 2000 e reconhecida internacionalmente pela Convenção de Ramsar.

Lévai, que também atua como diretor-executivo da Aranyponty Zrt., aponta a gestão hídrica como a causa do problema. Segundo ele, a autoridade regional de gestão da água teria retido recursos hídricos a montante para atender demandas de irrigação. O empresário afirma que o nível ecológico mínimo, que deveria garantir 50% de enchimento da superfície, não foi mantido, resultando em uma catástrofe.

De acordo com o relato do proprietário, cerca de 150 hectares do complexo secaram completamente. Em outras áreas, que somam 400 hectares, os peixes sobrevivem em condições precárias, com lâminas d’água de apenas 30 a 40 centímetros. Apenas uma parcela reduzida do território, entre 200 e 250 hectares, mantém níveis de água adequados para a piscicultura.

O prejuízo financeiro estimado por Lévai varia entre 400 e 500 milhões de forints, com a perda de 300 a 350 toneladas de peixes. O baixo nível da água, somado ao calor extremo, elevou a temperatura do ambiente, acelerando a decomposição de sedimentos e a liberação de gases tóxicos que envenenaram a fauna local, colocando em risco também anfíbios e aves raras.

Em contrapartida, a autoridade regional de gestão da água negou as acusações de retenção indevida. O órgão argumentou que enfrentou uma situação de emergência nacional devido a uma cúpula de calor imprevista. Segundo a entidade, restrições ao uso da água foram impostas a partir de 26 de julho, limitando o consumo para piscicultura e irrigação.

A autoridade hídrica destacou que, em agosto, liberou 1,18 milhão de metros cúbicos de água do reservatório de Fehérvárcsurgó para tentar mitigar a situação. O órgão sustenta que a evaporação diária, estimada em 100 mil metros cúbicos na área de 800 hectares, superou qualquer impacto causado pela captação para irrigação, atribuindo a mortandade ao déficit de oxigênio provocado pelo aquecimento da água.

Buscando soluções para o futuro, Ferenc Lévai defende que propriedades agrícolas deveriam construir seus próprios reservatórios para armazenar água em períodos chuvosos, evitando a dependência de recursos compartilhados em épocas de escassez. A autoridade hídrica informou que está conduzindo um estudo sobre o sistema hidrológico local.

O objetivo do levantamento é avaliar a viabilidade de novas práticas de exploração e a revisão das licenças de uso da água atualmente em vigor. A intenção é garantir que as necessidades futuras, tanto da produção animal quanto da conservação ambiental, possam ser atendidas de forma mais equilibrada.

Fonte: pt.euronews.com

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