O presidente da Argélia, Abdelmadjid Tebboune, manifestou a intenção de retomar a aplicação da pena de morte para indivíduos condenados por provocar incêndios florestais. A medida surge como uma resposta direta à recente onda de fogos que devastou diversas áreas do território argelino, resultando em perdas humanas significativas.
Em decorrência da tragédia, o chefe de Estado declarou um período de três dias de luto nacional. Em um comunicado oficial, Tebboune descreveu o cenário como uma “grande tragédia”, lamentando profundamente o impacto das chamas que castigaram o nordeste do país.
Atualmente, a Argélia mantém uma moratória sobre a pena capital, em vigor desde 1993. Contudo, o presidente determinou que o governo apresente uma reforma no Código Penal até o dia 15 de setembro, visando viabilizar a punição máxima para os responsáveis pelos incêndios criminosos.
O ministro do Interior, Saïd Sayoud, detalhou o impacto humano do desastre. Segundo o balanço oficial, foram confirmadas 12 mortes: cinco na província de Jijel, quatro em Béjaïa e três em Tizi Ouzou. Além dos óbitos, o governo informou que 54 pessoas precisaram de atendimento médico devido a queimaduras, sendo que seis pacientes permanecem em estado crítico.
A situação operacional permanece delicada. A proteção civil argelina reportou, na manhã de quinta-feira, que 46 focos de incêndio ainda estavam ativos, de um total de 193 ocorrências registradas nas últimas 24 horas. Registros em vídeo, que circulam nas redes sociais, mostram a dimensão das chamas, que chegaram a cercar moradores em suas próprias residências.
Como medida de segurança, a gendarmaria nacional ordenou o bloqueio de três rodovias principais que conectam as regiões orientais, devido à proximidade do fogo com as cidades de Béjaïa, Jijel e Sétif. O tráfego nessas vias foi interrompido para facilitar o trabalho das equipes de combate.
Embora o norte da Argélia enfrente incêndios florestais de forma cíclica durante o verão, especialistas apontam que a combinação de secas prolongadas e ondas de calor extremo tem intensificado a gravidade desses eventos. O histórico recente é preocupante: em julho de 2023, incêndios destruíram milhares de hectares de vegetação e terras agrícolas, além de centenas de residências, deixando mais de 30 mortos.
O cenário deste ano reforça a tendência de agravamento climático, com as autoridades registrando quase 2.000 focos de incêndio em todo o país apenas durante o mês de julho. A pressão política por medidas mais severas reflete a urgência do governo em conter a recorrência desses desastres que afetam a segurança da população e o meio ambiente.
Fonte: pt.euronews.com


