Uma semana após três vereadores de Alta Floresta levarem ao Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) questionamentos sobre a administração municipal, o prefeito Chico Gamba esteve na Corte de Contas, acompanhado do vice-prefeito Robson Quintino e da equipe jurídica da Prefeitura, para apresentar esclarecimentos técnicos e responder aos apontamentos feitos pelos parlamentares.
A audiência foi solicitada pela própria Prefeitura ao presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, que recebeu a administração municipal para tratar dos temas relacionados ao abastecimento de água, transporte escolar e ao projeto da usina fotovoltaica.
Na abertura da reunião, Sérgio Ricardo ressaltou que o Tribunal de Contas tem buscado ampliar o diálogo entre os agentes públicos, ouvindo todos os envolvidos antes de qualquer conclusão e fortalecendo a transparência na administração pública.
Durante mais de uma hora de audiência, a gestão apresentou informações, documentos e estudos técnicos para responder aos questionamentos apresentados pelos vereadores na semana anterior.
Sobre o abastecimento de água, a Prefeitura explicou que o contrato de concessão foi firmado em 2002, antes da atual administração, e permaneceu por anos sem revisão. Segundo a gestão, desde 2021 foram iniciadas ações para reorganizar a fiscalização do contrato, contratar uma agência reguladora, aplicar sanções à concessionária, revisar as obrigações contratuais e elaborar novos projetos para ampliar a capacidade de reservação e modernizar o sistema de abastecimento.
No transporte escolar, a administração rebateu as alegações apresentadas pelos vereadores e informou que o município opera atualmente 46 linhas com frota própria renovada, veículos reserva e ônibus equipados com ar-condicionado. Também afirmou que não há registros oficiais das ocorrências citadas durante a audiência anterior envolvendo substituição de motores em veículos novos.
Em relação à usina fotovoltaica, a Prefeitura esclareceu que a implantação foi impactada por restrições temporárias impostas pela concessionária de energia para conexão de grandes sistemas ao sistema elétrico. A gestão informou que continua estudando alternativas técnicas para viabilizar o projeto dentro das normas estabelecidas pelos órgãos reguladores.
Ao final da audiência, o prefeito Chico Gamba afirmou que respeita o papel fiscalizador da Câmara Municipal, mas lamentou que os questionamentos tenham sido levados diretamente ao Tribunal de Contas sem que a administração tivesse sido procurada previamente para prestar esclarecimentos.
Segundo o prefeito, a Prefeitura mantém diálogo permanente com os órgãos de controle e sempre esteve disponível para apresentar documentos, informações técnicas e responder às dúvidas dos parlamentares.
O vice-prefeito Robson Quintino também criticou a forma como o debate foi conduzido. Para ele, diversos temas apresentados pelos vereadores já estavam sendo tratados pela administração por meio de estudos, revisões contratuais e processos administrativos.
Robson afirmou que uma conversa com a equipe técnica da Prefeitura teria permitido esclarecer grande parte das dúvidas antes da exposição pública do assunto. Segundo ele, o diálogo institucional fortalece a fiscalização e evita interpretações incompletas sobre projetos complexos que estão em andamento.
A administração municipal também manifestou preocupação com os reflexos desse tipo de embate político para a imagem de Alta Floresta. Na avaliação da gestão, quando informações são divulgadas sem considerar o conjunto das ações desenvolvidas pelo município, cria-se um ambiente de insegurança que pode afetar a credibilidade da cidade perante investidores, instituições e parceiros.
Apesar das críticas, o prefeito reafirmou que a Prefeitura continuará aberta ao diálogo com todos os vereadores e órgãos de controle, defendendo que a transparência, o debate responsável e o interesse público devem prevalecer acima das divergências políticas.
Ao encerrar a audiência, o presidente do Tribunal de Contas reforçou que o papel da instituição é justamente garantir espaço para que todas as partes sejam ouvidas, permitindo que a sociedade tenha acesso aos diferentes argumentos antes da formação de qualquer entendimento sobre os temas debatidos.

