segunda-feira, 14/09/2026
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Mulher que nasceu sem útero engravida após receber transplante da irmã

Lauren Fowler, que durante anos acreditou ser impossível realizar o sonho da maternidade, vive hoje a expectativa da chegada de seu primeiro filho. Nascida com a síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), uma condição congênita rara que impede o desenvolvimento do aparelho reprodutor, ela está grávida de 26 semanas após ter sido submetida a um transplante de útero doado por sua irmã, Kelly Jagga.

O procedimento, realizado em maio de 2025 no Reino Unido, foi detalhado pela própria Lauren e por sua irmã durante uma entrevista ao programa britânico This Morning, da ITV. Acompanhada pelo noivo, David Funnell, Lauren revelou que espera um menino, cujo nascimento está previsto para outubro por meio de uma cesariana. Devido à natureza delicada da gestação, a futura mãe é submetida a exames de acompanhamento a cada duas semanas.

A condição de Lauren, classificada como tipo 1 da síndrome MRKH, preserva o funcionamento de seus ovários e trompas, mas a ausência do útero, do colo uterino e de parte da vagina impedia a menstruação e a gravidez. O diagnóstico, recebido aos 15 anos após a ausência de ciclo menstrual, foi descrito por ela como um choque que alterou profundamente suas perspectivas de futuro.

A trajetória de Lauren em busca do transplante começou em 2010, ao entrar em contato com a organização Womb Transplant UK. Inicialmente focada em doadoras falecidas, a pesquisa evoluiu para incluir doadoras vivas, momento em que Kelly Jagga, já mãe de três filhos, prontificou-se a realizar a doação assim que sua própria família estivesse completa.

A cirurgia de transplante durou cerca de 11 horas. Embora o procedimento tenha sido bem-sucedido, Lauren enfrentou complicações graves no pós-operatório, incluindo uma obstrução intestinal severa causada por tecido cicatricial. A situação exigiu duas intervenções cirúrgicas de emergência, longos períodos de internação, transfusões de sangue e uma perda significativa de peso. Apesar do susto, o útero transplantado foi preservado pelo organismo.

Após a recuperação, Lauren passou a menstruar pela primeira vez na vida. O casal iniciou então o processo de fertilização in vitro, utilizando embriões que haviam sido criados antes do transplante, já que a paciente necessitava de medicamentos imunossupressores. Após uma primeira tentativa frustrada por aborto espontâneo, Lauren engravidou em março deste ano. Mesmo com episódios de sangramento que trouxeram insegurança, a gestação seguiu seu curso e, desde o final de junho, ela já consegue sentir os movimentos do bebê.

Este caso é um marco para a medicina britânica, sendo Lauren a terceira mulher no país a engravidar após um transplante de útero. O procedimento faz parte de um estudo clínico que visa avaliar a segurança da técnica para, futuramente, integrá-la ao sistema público de saúde. Até o momento, cinco transplantes foram realizados no âmbito do programa, que prevê um total de 15 intervenções.

O professor Richard Smith, cirurgião ginecológico do Imperial College Healthcare NHS Trust, destaca que a demanda pelo procedimento é alta, com mais de 500 mulheres interessadas. No entanto, a complexidade da cirurgia e a necessidade de imunossupressão tornam o processo um desafio constante. O plano é que o útero seja removido após a conclusão do projeto reprodutivo da paciente, que pode incluir até duas gestações.

Sobre o futuro, Lauren e David ainda avaliam a possibilidade de um segundo filho, decisão que será tomada após o nascimento do primeiro. Kelly, por sua vez, celebra a proximidade que a experiência trouxe às irmãs e a expectativa de seus filhos em conhecer o novo primo. Para Lauren, compartilhar sua história é uma forma de oferecer esperança a outras mulheres que enfrentam o mesmo diagnóstico, provando que, com o avanço da ciência e o apoio familiar, barreiras antes intransponíveis podem ser superadas.

Fonte: rdnews.com.br

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