Escondida atrás de um trecho sinuoso da serra em Chapada dos Guimarães, restam apenas vestígios de um dos empreendimentos mais audaciosos da história de Mato Grosso: a criação de uma nova capital para substituir Cuiabá. O projeto, que hoje sobrevive apenas na memória e em registros históricos, representou uma tentativa de modernizar a administração estadual.
A iniciativa surgiu durante a gestão de Mário Corrêa, que ocupou o cargo de presidente do Estado entre 1926 e 1930. Naquele período, Mato Grosso atravessava um momento de intensas mudanças políticas e econômicas, e a ideia de uma nova sede administrativa era vista como um complemento necessário para o desenvolvimento regional.
O planejamento urbano de Mariópolis — nome dado em homenagem ao próprio governante — previa uma estrutura moderna, com avenidas largas, praças projetadas e edifícios públicos imponentes. A intenção era estabelecer um centro urbano que oferecesse condições ideais de habitabilidade e progresso, distanciando-se das limitações geográficas da capital da época.
O marco oficial desse sonho ocorreu em 14 de julho de 1927, com o lançamento da pedra fundamental. O evento foi grandioso, reunindo autoridades, representantes dos Poderes constituídos e centenas de famílias cuiabanas. Registros da imprensa da época indicam que cerca de mil pessoas compareceram à cerimônia no alto da serra, celebrando o que seria o futuro do estado.
Os defensores da mudança argumentavam que a nova cidade serviria como um ponto de integração entre as diversas regiões mato-grossenses. Além disso, o projeto visava estimular a ocupação territorial, atrair fluxos migratórios e consolidar um novo eixo econômico que impulsionasse o crescimento de Mato Grosso para além das fronteiras tradicionais.
A motivação para o projeto também residia em um sentimento de insatisfação com a situação de Cuiabá no final da década de 1920. Embora a capital tivesse acabado de celebrar seu bicentenário, parte da elite política da época considerava que a cidade estava estagnada e incapaz de acompanhar o ritmo de expansão territorial e as novas demandas do estado.
Apesar do entusiasmo inicial e do suporte político, Mariópolis nunca saiu do papel como planejado. O projeto acabou sucumbindo às instabilidades políticas e às dificuldades logísticas de erguer uma metrópole em uma região de difícil acesso, tornando-se um capítulo curioso e pouco conhecido da história de Mato Grosso.
Hoje, quem percorre a região da Chapada dos Guimarães encontra apenas fragmentos de um passado que vislumbrou uma nova capital. O episódio permanece como um testemunho das ambições de uma época que buscava, a todo custo, redesenhar o mapa e o destino administrativo do estado.
Fonte: midianews.com.br


