quarta-feira, 16/09/2026
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Defesa de empresária presa em Cuiabá aponta irregularidades e pede liberdade

A defesa da empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro formalizou um pedido de revogação de sua prisão preventiva, alegando uma série de supostas falhas processuais ocorridas durante a Operação Bóreas. A ação, deflagrada pela Polícia Federal do Tocantins na última terça-feira (25), mira um grupo suspeito de gerenciar voos, pistas clandestinas e logística para o tráfico internacional de cocaína e armas vindas da Bolívia e do Peru.

O advogado Fernando Faria, que representa a empresária, classificou a detenção como “absurda e arbitrária”, sustentando que não existem fundamentos legais que justifiquem a manutenção da custódia. Segundo a defesa, a investigação baseia-se, em parte, em uma troca de mensagens entre Thatiana e seu irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, datada de 2024. O defensor argumenta que o conteúdo não possui conexão com o objeto central da apuração e que os fatos citados carecem de contemporaneidade.

Márcio, irmão da investigada, encontra-se detido desde fevereiro de 2025, após ter sido interceptado em uma aeronave transportando 475 quilos de cocaína no Tocantins. Faria enfatizou que o cenário atual é distinto e que a prisão de sua cliente, que possui residência fixa, emprego estabelecido em Cuiabá e uma filha de nove anos, é desproporcional.

Além da contestação sobre o mérito da prisão, a defesa apontou supostas irregularidades cometidas pelos agentes federais durante o cumprimento dos mandados. Entre as queixas, destaca-se a alegação de violação das prerrogativas da advocacia, previstas no Estatuto da OAB, e falhas na cadeia de custódia das provas. O advogado relatou que, ao chegar à residência de Thatiana, a diligência já estava em curso sem a presença de um representante da Ordem.

“Ao me deslocar até lá, percebi que a autoridade policial já tinha dado início à diligência de busca e apreensão. O delegado de polícia tinha dado início à diligência, pegando a advogada na rua e, sorrateiramente, se apossou do celular dela antes mesmo de a OAB chegar”, afirmou Faria. O defensor também questionou a integridade da apreensão do aparelho celular, alegando que o delegado teria mantido o dispositivo desbloqueado e sem o devido lacre, o que, segundo ele, comprometeria a validade da prova.

Diante do quadro, a defesa solicitou a revogação da prisão preventiva ou, subsidiariamente, a aplicação de medidas cautelares, como a retenção do passaporte e a proibição de deixar a comarca. Também foi pleiteada a conversão da prisão em domiciliar, fundamentada na condição de Thatiana como mãe de uma criança menor de idade. O caso segue sob segredo de Justiça e aguarda análise do Poder Judiciário Federal no Tocantins.

Thatiana Theodoro é sócia e administradora da TRMT Restaurante Ltda., empresa que opera o Tatu Bola Bar, na Praça Popular, em Cuiabá. Durante as buscas, as autoridades apreenderam joias, relógios, veículos e dinheiro em espécie. O advogado ressaltou que os bens são compatíveis com a renda da empresária e reforçou que o estabelecimento comercial não possui qualquer vínculo com as atividades investigadas.

A Operação Bóreas resultou no cumprimento de três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, divididos entre Cuiabá e Palmas. Além das prisões, o juízo da 4ª Vara Federal de Palmas determinou o sequestro de bens, bloqueio de valores e a apreensão de aeronaves. A Polícia Federal também solicitou a inclusão de dez investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol, intensificando o combate à estrutura logística do tráfico internacional na região.

Fonte: midianews.com.br

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