terça-feira, 15/09/2026
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Damasco volta ao sistema financeiro global: presidente sírio utiliza cartão Visa em café

Um simples gesto em uma cafeteria na Cidade Velha de Damasco tornou-se o emblema da nova fase econômica da Síria. Em um registro oficial divulgado pelo governo, o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, acompanhado pelo governador do banco central, Mohammed Safwat Raslan, utilizou um cartão da bandeira Visa para pagar por um café. O ato serviu para marcar simbolicamente a saída do país da lista negra de terrorismo dos Estados Unidos, uma barreira que impedia transações financeiras internacionais há mais de uma década e meia.

Raslan descreveu o movimento como um marco histórico, afirmando que a nação retoma seu papel legítimo dentro da economia global. A alteração na postura de Washington ocorreu na última segunda-feira, quando o Departamento de Estado oficializou a revogação da designação da Síria como Estado patrocinador do terrorismo, encerrando uma classificação que perdurava desde 1979. A medida foi concretizada após um período de revisão de 45 dias no Congresso, iniciado por uma notificação enviada pelo presidente Donald Trump em julho.

Paralelamente, houve a remoção do grupo Hayat Tahrir al-Sham — organização que esteve à frente da ofensiva que resultou na queda do regime de Bashar al-Assad — da lista de grupos terroristas globais. Este passo complementa um processo de desmantelamento de sanções que já vinha ocorrendo, com o encerramento do programa abrangente de restrições em meados de 2025 e a revogação da Lei César pelo Congresso norte-americano no final daquele mesmo ano.

Embora a maioria das sanções já tivesse sido suspensa, a permanência na lista de Estados patrocinadores do terrorismo ainda impunha severas restrições que afastavam investidores e instituições financeiras. Com a nova determinação, o Departamento do Tesouro dos EUA confirmou que bancos norte-americanos estão autorizados a oferecer serviços a clientes sírios, processar pagamentos envolvendo instituições do país e estabelecer relações de correspondência bancária.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, destacou que a iniciativa visa fomentar investimentos que promovam a estabilidade política e econômica na região. Analistas da Tellimer, empresa de pesquisa de mercados emergentes com sede no Dubai, interpretam a decisão como um sinal verde para o capital estrangeiro. A expectativa é que setores como tecnologia, telecomunicações e o sistema bancário sejam os primeiros a colher os frutos do restabelecimento do acesso ao sistema SWIFT.

Apesar da abertura, o cenário não está totalmente livre de cautelas. As sanções permanecem ativas contra indivíduos ligados ao antigo regime de Bashar al-Assad, além de traficantes de captagon e responsáveis por violações de direitos humanos. Adicionalmente, a Síria ainda figura na lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira do G7, devido a preocupações persistentes com a lavagem de dinheiro.

A União Europeia também alinhou sua política à dos Estados Unidos. Em maio de 2025, o Conselho Europeu suspendeu a totalidade das sanções econômicas, mantendo apenas restrições voltadas à segurança, como o embargo de armas e tecnologias que poderiam ser empregadas na repressão interna. Na mesma data, o bloco restabeleceu o Acordo de Cooperação UE-Síria, que estava parcialmente suspenso desde 2011, e retomou o diálogo político de alto nível com Damasco.

Por fim, embora tenha renovado medidas restritivas contra figuras do antigo regime até junho de 2027, o Conselho Europeu também promoveu ajustes, retirando sete entidades da lista de sanções, incluindo os ministérios da Defesa e do Interior, que agora operam sob a gestão das autoridades de transição.

Fonte: pt.euronews.com

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