As inundações devastadoras que atingiram o Nepal nesta quarta-feira podem ter sido desencadeadas por um terremoto seguido de uma avalanche, conforme informou o ministro das Relações Exteriores do país, Shishir Khanal. Durante uma reunião com lideranças políticas no Parlamento, o chanceler ressaltou que, embora as investigações científicas ainda estejam em estágio inicial, os dados preliminares apontam para uma relação direta entre os eventos sísmicos e a catástrofe.
De acordo com Khanal, um tremor de magnitude 4,4 foi registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) às 8h37, no horário local. A suspeita é de que o abalo tenha provocado um deslizamento de terra de grandes proporções, bloqueando o curso de um rio e gerando a inundação repentina que atingiu as comunidades locais.
Especialistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), como o pesquisador Qianggong Zhang, levantaram a hipótese de que uma avalanche de gelo tenha caído no rio Lhende, que integra o sistema do rio Bhotekoshi. O cientista, sediado em Katmandu, ponderou, contudo, que a causa exata do fenômeno ainda depende de análises mais aprofundadas.
O volume excessivo de água desceu com força pelo Bhotekoshi, impactando severamente os distritos de Nuwakot e Rasuwa. O histórico da região recorda inundações anteriores causadas pelo rompimento de lagos glaciais, um problema que tem se tornado recorrente devido ao agravamento das mudanças climáticas, que tornam o derretimento anual da neve no Himalaia cada vez mais instável e imprevisível.
Narendra Priyar, chefe da administração distrital de Rasuwa, destacou que o desastre pegou as autoridades de surpresa, uma vez que não houve registro de chuvas na região. O cenário de destruição é grave: ao menos 19 pessoas perderam a vida e centenas seguem desaparecidas, incluindo um grande número de turistas que percorriam os vales ao norte do país no momento da enchente.
A força da torrente de lama também atravessou fronteiras, causando vítimas e desaparecimentos no Tibete, território sob domínio chinês. Relatos de autoridades de ambos os países e da imprensa estatal da China confirmam a extensão dos danos causados pela massa de detritos que desceu das montanhas.
Registros visuais divulgados pela polícia nepalesa mostram o momento em que a cheia arrasta diversas residências no distrito de Rasuwa. Em resposta à emergência, o Exército do Nepal iniciou uma operação de resgate em larga escala, mobilizando 14 helicópteros e equipes especializadas. O governo nepalês também solicitou formalmente auxílio à China e à Índia para reforçar as buscas.
Embora o número exato de desaparecidos ainda seja incerto, o Conselho de Turismo do Nepal emitiu um alerta informando que até 384 turistas — sendo 291 estrangeiros — estão na lista de pessoas não localizadas nas áreas afetadas. Além dos visitantes, agentes de quatro postos policiais e funcionários da alfândega na fronteira com a China permanecem incomunicáveis, elevando a preocupação das autoridades sobre o saldo final da tragédia.
Fonte: rdnews.com.br


