segunda-feira, 14/09/2026
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Agência da ONU alerta que El Niño atingirá intensidade ‘muito forte’ até fevereiro

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência climática vinculada às Nações Unidas, emitiu um alerta contundente na última quinta-feira: o fenômeno El Niño deverá ganhar força nos próximos meses, com uma probabilidade quase absoluta de persistir até fevereiro de 2027. Segundo a entidade, o evento atingirá seu ápice no final deste ano, embora seus reflexos no clima global devam ser sentidos ao longo de todo o próximo ano.

De acordo com a OMM, o El Niño já está consolidado e caminha para se tornar um evento de grande magnitude. A agência destaca que essa intensificação trará impactos severos nos regimes de temperatura e precipitação, elevando significativamente os riscos de inundações, secas prolongadas e episódios de calor extremo em diversas partes do mundo.

Embora o El Niño seja um fenômeno natural e não uma consequência direta das mudanças climáticas, especialistas ressaltam que ele atua como um agravante. O aquecimento global, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis, cria um cenário onde o fenômeno potencializa eventos meteorológicos extremos. O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a situação como alarmante, afirmando que o planeta entrou em “águas desconhecidas” com o aumento das temperaturas oceânicas.

Guterres enfatizou a urgência da situação, declarando que o mundo está em uma zona de perigo climático. Para o secretário-geral, a humanidade trava uma corrida contra o tempo para proteger as populações e mitigar os riscos crescentes, sendo indispensável um compromisso global efetivo com a ação climática.

O histórico recente reforça a preocupação das autoridades. O ano de 2024 figura como o mais quente já registrado, impulsionado pelo episódio anterior de El Niño. Como o calor acumulado nos oceanos é liberado lentamente para a atmosfera, a tendência é que as temperaturas globais continuem em trajetória de alta no ano seguinte ao pico do fenômeno.

Celeste Saulo, diretora da OMM, alertou que este evento específico tem potencial para causar danos severos tanto às economias quanto às comunidades ao redor do globo. A diretora reforçou que já é possível observar destruição causada por secas e cheias, e que a expectativa é de que esses impactos se tornem mais frequentes e intensos à medida que o fenômeno se fortalece.

O alerta é direcionado principalmente a setores sensíveis, como a agricultura, a saúde pública, a gestão de recursos hídricos e o setor energético. A OMM sublinha que as autoridades de gestão de catástrofes precisam acelerar seus preparativos, pois não há margem para atrasos na resposta aos riscos iminentes.

O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento das águas superficiais no Pacífico equatorial central e oriental, o que altera a pressão atmosférica e os padrões de ventos em escala global. O fenômeno ocorre ciclicamente, a cada dois a sete anos, e costuma ter uma duração média entre nove e doze meses, alternando-se com fases neutras ou com o seu oposto, o La Niña.

A classificação da OMM divide os episódios em fracos, moderados, fortes ou muito fortes. O atual cenário indica que o fenômeno atingirá o patamar mais elevado dessa escala. Dados recentes mostram que as anomalias de temperatura na superfície do mar no Pacífico equatorial centro-oriental subiram de uma média de 1,5 ºC acima do normal, entre maio e julho, para valores semanais que variaram entre 2,2 ºC e 2,6 ºC entre o final de julho e meados de agosto.

Além disso, em algumas regiões, as temperaturas subsuperficiais do oceano chegaram a registrar marcas superiores a 8 ºC acima da média durante o mês de julho e o início de agosto. Esses números confirmam a tendência de fortalecimento contínuo.

As consequências do El Niño são sentidas a milhares de quilômetros de distância do Pacífico. Historicamente, grandes eventos do fenômeno estão associados a secas severas na Amazônia, na Indonésia e na Austrália, além de perturbações nas monções indianas e alterações drásticas no regime de chuvas em diversas regiões tropicais.

Para o trimestre de setembro a novembro, as previsões da OMM indicam uma probabilidade elevada de temperaturas acima da média em praticamente todas as áreas terrestres do planeta. A agência reforça que os padrões de precipitação observados atualmente refletem uma resposta atmosférica clássica e marcada ao fortalecimento deste forte El Niño no Pacífico.

Fonte: pt.euronews.com

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