domingo, 20/09/2026
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Festival Sa: Paru no Nepal: a celebração da vida e da morte

O festival Sa: Paru, realizado anualmente no Nepal, propõe uma perspectiva singular sobre o luto, distanciando-se do silêncio solene comum em culturas ocidentais. Celebrado pelo povo newar no vale de Catmandu, o evento homenageia aqueles que faleceram no último ano, transformando a despedida em uma manifestação de alegria e comunhão.

A essência do festival Sa: Paru

Diferente dos funerais tradicionais, o Sa: Paru — também conhecido como Gai Jatra — funciona como um carnaval coletivo. Segundo Ajay Bahadur Pradhanang, morador local, a celebração permite que a comunidade se una para apoiar as famílias enlutadas, substituindo a tristeza isolada por um cortejo vibrante que simboliza a jornada da alma em direção à salvação.

Além disso, Em Bhaktapur, a preparação começa dias antes da lua cheia do décimo mês do calendário lunissolar. Vizinhos colaboram na construção dos taha: sa, estruturas de bambu decoradas com tecidos e retratos, que representam o animal sagrado do festival. Esse esforço conjunto reforça a importância da coesão social diante da finitude da vida.

O cortejo é marcado por elementos visuais e sonoros intensos, incluindo:

  • Música executada com tambores, sinos e paus de madeira;
  • A dança tradicional Ghintang Ghisi, performada pelos participantes;
  • Uso de trajes tradicionais mesclados a vestimentas modernas e casuais;
  • Máscaras satíricas que representam figuras políticas globais.

Portanto, A tradição, que historiadores acreditam ter surgido no século XIV, ganhou contornos satíricos sob o reinado de Pratap Malla. O monarca teria incentivado as comemorações para consolar sua esposa após a perda de um filho, permitindo que o humor e a crítica social integrassem o ritual de passagem.

Para quem deseja conhecer a cultura local, a cidade de Bhaktapur oferece muito mais do que a famosa Durbar Square. A vida cotidiana, com seus artesãos de cerâmica e produtores de papel Lokta, revela um patrimônio vivo. O turismo consciente, hospedando-se em locais que apoiam a comunidade, é fundamental para a preservação dessas tradições.

É importante ressaltar que, apesar de tragédias naturais recentes no país, os principais destinos turísticos, como o vale de Catmandu, permanecem operacionais. O apoio financeiro dos visitantes é vital para a economia local, que enfrenta desafios globais e regionais. Para mais detalhes sobre as últimas notícias e roteiros, o planejamento antecipado é sempre recomendado.

Participar do Sa: Paru é, acima de tudo, um exercício de empatia. Como aponta o curador Peepul Subedi, o festival recorda a todos que a dor é uma experiência universal. Ao dançar e cantar, a comunidade não celebra a morte em si, mas a continuidade da existência e a esperança de um destino sereno para aqueles que partiram.

Fonte: pt.euronews.com

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