A descarbonização da Europa em suas indústrias pesadas é um desafio possível sem comprometer o crescimento econômico ou a oferta de empregos. Um estudo recente, conduzido por especialistas do Euro-Mediterranean Center on Climate Change (CMCC), do Politecnico di Milano e da Technische Universität Berlin, traça um roteiro viável para essa transição.
Os pesquisadores analisaram a produção de aço, cimento e produtos químicos até 2050. O modelo sugere que a redução drástica de emissões pode ocorrer sem a necessidade de esvaziar a base manufatureira do continente. Contudo, o sucesso dessa estratégia exige compromissos específicos e ajustes nas cadeias de suprimentos.
Estratégias para a descarbonização da Europa
Para atingir as metas climáticas, o estudo propõe a substituição de combustíveis fósseis por hidrogênio verde, gerado a partir de fontes renováveis. Além disso, a eletrificação de processos industriais e o aumento do uso de sucata reciclada são pilares fundamentais para a produção de aço e químicos.
O setor de cimento apresenta desafios maiores, pois o próprio processo de fabricação libera dióxido de carbono. A captura de emissões nas fábricas surge como uma alternativa, embora a tecnologia ainda careça de provas de eficácia em escala industrial. Confira mais detalhes na nossa categoria de notícias.
O roteiro aponta que a transição será mais onerosa por volta de 2040, devido aos investimentos necessários em infraestrutura. Para mitigar custos, o estudo sugere:
- Priorizar a importação de materiais intensivos em energia, como amônia e metanol.
- Utilizar ferro briquetado a quente (HBI) produzido em regiões com energia renovável barata.
- Manter as etapas de maior valor agregado dentro das fábricas europeias.
A dependência de importações, entretanto, traz riscos geopolíticos que não podem ser ignorados. Eventos como conflitos no Oriente Médio ou cortes no fornecimento de gás russo demonstram a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos. Por outro lado, os autores argumentam que a importação de insumos verdes é mais flexível do que a dependência de combustíveis fósseis.
Produzir todos os materiais internamente exigiria subsídios estatais superiores a 200 mil milhões de euros anuais. Massimo Tavoni, coautor do estudo, defende que a Europa precisa de realismo. Segundo ele, o foco deve ser a descarbonização aliada a uma utilização inteligente de importações verdes. Portanto, o suporte público deve ser direcionado e temporário para garantir a competitividade industrial.
Em última análise, o estudo funciona como um exercício de referência para o planejamento estratégico. Acompanhe as últimas notícias sobre o impacto das políticas climáticas na economia global.
Fonte: pt.euronews.com


