O preço do petróleo voltou a registrar alta expressiva nesta quarta-feira, com o contrato de futuros de Brent superando a marca de 100 dólares por barril. O valor, que serve como referência internacional, reflete a intensificação dos conflitos no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de energia. Enquanto isso, o padrão norte-americano WTI oscila próximo aos 95 dólares, acumulando uma valorização de quase 20% desde a semana passada.
Impactos do conflito no preço do petróleo
A tensão militar atingiu um novo patamar após o Comando Central dos Estados Unidos confirmar a destruição de cinco petroleiros iranianos em 8 de setembro. A ação ocorreu como resposta ao disparo de mísseis balísticos pela Guarda Revolucionária do Irão contra um navio de guerra norte-americano. Este episódio sucede ataques similares ocorridos em 5 de setembro, que também resultaram em retaliações diretas contra a frota iraniana.
O cenário de instabilidade é agravado por ameaças constantes de Teerão. Autoridades iranianas, incluindo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, sinalizaram a criação de uma zona de exclusão fora do estreito. Além disso, instalações da Aramco, na Arábia Saudita, sofreram ataques recentes, mantendo o mercado em alerta máximo sobre a segurança das rotas de abastecimento.
A situação logística no Estreito de Ormuz é crítica. Atualmente, o volume de carga que atravessa a região é significativamente menor do que no período pré-conflito:
- Volume atual: cerca de 7 milhões de barris por dia.
- Volume pré-guerra (28 de fevereiro): cerca de 20 milhões de barris por dia.
- Ameaças: Irão impõe restrições a navios sem coordenação prévia.
Paralelamente, Washington intensificou a pressão financeira através da Operação Pária Econômico, lançada no final de agosto. A iniciativa busca isolar o Irão do sistema financeiro global, afetando setores como tecnologia, ouro e aviação. O Departamento do Tesouro dos EUA já sancionou dezenas de empresas e navios, contando com o apoio da União Europeia nesta campanha de restrições.
O discurso político permanece inflamado. O secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, prometeu afundar petroleiros iranianos caso novos ataques ocorram, enquanto o parlamento iraniano rebateu as ameaças. Por outro lado, o governo norte-americano tenta minimizar a percepção de crise, com o vice-presidente JD Vance negando a existência de uma guerra formal e atribuindo a estabilidade energética à liderança atual.
Analistas de mercado já revisam suas projeções diante da volatilidade. O Goldman Sachs elevou suas estimativas para o Brent e o WTI, alertando que os preços podem ultrapassar os 120 dólares no próximo ano caso a produção no Golfo permaneça reduzida. Para acompanhar mais atualizações sobre o mercado global, acesse a nossa categoria de notícias ou confira as últimas notícias.
Fonte: pt.euronews.com


