O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, denunciou recentemente uma suposta política de assédio mantida pelo Marrocos contra a cidade espanhola. O líder regional solicitou que a União Europeia adote uma postura mais rigorosa e forneça financiamento urgente para a segurança fronteiriça. O pedido ocorre após a entrada massiva de cerca de 80 mil migrantes no território espanhol no final de julho.
Presidente de Ceuta
Durante uma série de reuniões em Bruxelas, Vivas encontrou-se com comissários europeus e parlamentares para discutir a situação crítica local. Ele destacou que a cidade está à beira do colapso, com milhares de estrangeiros, incluindo menores desacompanhados, ainda presentes no território. O presidente busca apoio para viabilizar a repatriação de migrantes em situação irregular.
O líder de Ceuta criticou abertamente o governo de Pedro Sánchez, alegando omissão na gestão do incidente de julho. Segundo ele, a administração espanhola falhou em responder adequadamente à crise, que resultou em mais de 150 mortes no mar. Vivas enfatizou que a cooperação com o Marrocos deve ser pautada pelo respeito estrito às fronteiras europeias.
A posição de Madrid, contudo, diverge da de Vivas. O governo espanhol continua a classificar Rabat como um parceiro estratégico e confiável no controle migratório. As autoridades de Madri atribuem o fluxo migratório a redes de tráfico humano e desinformação nas redes sociais, evitando responsabilizar diretamente o governo marroquino.
As principais demandas apresentadas pelo presidente de Ceuta incluem:
- A criação de um estatuto especial para Ceuta e Melilha dentro da União Europeia.
- A presença permanente de agentes da Frontex e da Agência da União Europeia para o Asilo.
- Investimentos diretos em infraestrutura de segurança na fronteira terrestre.
Embora tenha exigido medidas firmes, Vivas evitou pedir o corte de verbas europeias destinadas ao Marrocos, que somam 160 milhões de euros até 2027. Ele foca, portanto, na necessidade de recursos para gerir a crise humanitária e fortalecer a proteção da fronteira. Além disso, o líder reforçou que a segurança de Ceuta é vital para a integridade do bloco europeu.
A Comissão Europeia, por sua vez, ainda não assumiu compromissos financeiros concretos. Contudo, um porta-voz confirmou que uma missão técnica será enviada a Ceuta nos próximos dias para avaliar a situação no terreno. O objetivo é compreender melhor as necessidades da região e buscar soluções para a instabilidade relatada.
Para mais informações sobre o cenário geopolítico, acompanhe as últimas notícias em nossa editoria. A situação permanece tensa, com a população local temendo novas ondas migratórias repentinas. Vivas concluiu seu apelo afirmando que a queda de Ceuta representaria uma ameaça direta à segurança de toda a Europa.
Fonte: pt.euronews.com


