segunda-feira, 14/09/2026
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Fiscal preso em SP planejava comprar sauna para lavar dinheiro de esquema

O ex-diretor-geral da Administração Tributária de São Paulo, André Weiss, foi detido nesta quinta-feira (3) sob a acusação de integrar um esquema de corrupção dentro da Secretaria da Fazenda. Durante um almoço com outros fiscais, gravado em julho de 2023, Weiss admitiu ter cogitado a aquisição de uma sauna como estratégia para realizar a lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas.

O registro da conversa foi localizado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) no aparelho celular do auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, que já havia sido preso em agosto de 2025, no âmbito da Operação Ícaro. Segundo as transcrições, Weiss, que ocupava um dos cargos mais elevados da hierarquia fazendária até maio deste ano, é apontado pelos investigadores como o líder do núcleo público da organização criminosa.

No áudio, o ex-diretor justifica a escolha do estabelecimento comercial: “Você sabe que eu pensei em pegar dinheiro e comprar uma sauna em São Paulo… pra fazer reunião… vamos juntar uma grana e vamos pegar uma porra de uma sauna, né? E para lavar também é bom”. Ele argumentou que o fluxo de pagamentos em espécie no local facilitaria a ocultação dos valores, já que o uso de cartões de crédito seria incomum entre os clientes daquele tipo de negócio.

Além da estratégia para lavar o dinheiro, Weiss demonstrou cautela quanto à exposição pública de sua riqueza. Em outro trecho da gravação, ele afirmou que evitava comprar bens de luxo, como uma Mercedes avaliada em R$ 250 mil, por receio de atrair a atenção das autoridades e acabar sendo preso. “Se você aparece na Delegacia, cara… isso aí vai sair no jornal. Você é algemado… chega um promotor pra me prender na hora lá”, declarou.

A conversa ocorreu menos de um mês antes da primeira entrega de propina relatada pelo ex-delegado regional tributário do Butantã, Paulo Sérgio Siqueira Prado, que firmou um acordo de colaboração premiada. A integridade do áudio, que possui mais de duas horas de duração, foi atestada pelo Núcleo de Computação Forense do Centro de Apoio Operacional à Execução (Caex), sendo validada pela Justiça como prova legal por ter sido captada por um dos participantes.

Durante o mesmo encontro, os fiscais abordaram procedimentos de ressarcimento de ICMS para grandes redes varejistas. Ao ser questionado sobre uma reunião reservada com Paulo Prado, Weiss respondeu apenas “Rateio”. O MPSP sustenta que os diálogos comprovam que o grupo discutia a divisão de vantagens indevidas obtidas com a liberação de créditos tributários, além de mencionarem irregularidades em processos específicos.

Além de Weiss, o investigado Buttini também teve a prisão preventiva decretada. Outros seis servidores foram afastados de suas funções e proibidos de acessar as dependências e os sistemas da Secretaria da Fazenda. Os envolvidos podem responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro.

Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento informou que colabora integralmente com as investigações desde o início da Operação Ícaro. A pasta destacou que as apurações internas já resultaram na demissão de cinco envolvidos, uma exoneração e o afastamento de 17 servidores sem remuneração. Além disso, as empresas citadas foram autuadas, gerando a constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.

As defesas dos investigados e a própria Secretaria da Fazenda foram procuradas para comentar o caso, e o espaço permanece aberto para manifestações futuras. O órgão reforçou que não tolera condutas irregulares e que qualquer novo desdobramento, incluindo eventuais delações, será rigorosamente apurado.

Fonte: midianews.com.br

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