Uma situação inusitada e preocupante tomou conta de General Carneiro nesta sexta-feira (28). A sede da administração municipal teve o fornecimento de energia elétrica interrompido devido à falta de pagamento das faturas. O problema foi tão severo que servidores precisaram ser dispensados do expediente, já que a estrutura administrativa não possuía condições de funcionamento.
Segundo informações apuradas, o Executivo municipal já havia sido notificado previamente sobre o risco de suspensão do serviço, mas a pendência financeira não foi regularizada a tempo de evitar o corte. O episódio ganha contornos de polêmica devido ao contexto atual do município: enquanto a Prefeitura enfrenta dificuldades para manter as luzes acesas, a gestão prepara um festival com orçamento superior a R$ 1,3 milhão.
A documentação referente ao evento detalha que mais de R$ 700 mil serão destinados à estrutura, englobando palco, som, tendas e serviços correlatos. Além disso, cerca de meio milhão de reais está reservado para o pagamento de atrações artísticas, que incluem um nome de destaque nacional e apresentações regionais. Esse contraste levanta questionamentos sobre a definição de prioridades pela atual gestão.
Paralelamente à crise na sede administrativa, a população tem manifestado forte insatisfação com o abastecimento de água. Em grupos de mensagens da comunidade, são frequentes os relatos de moradores que enfrentam dias sem o recurso, impossibilitados de manter até mesmo as caixas d’água de suas residências. O fornecimento de água, considerado um serviço essencial para a dignidade e higiene, tornou-se um ponto crítico de reclamação.
A conservação urbana também é alvo de críticas. Munícipes apontam que praças e áreas públicas apresentam mato alto e sinais claros de abandono, evidenciando uma falha na manutenção da cidade. Esse cenário de precariedade no cotidiano dos moradores contrasta diretamente com o vultoso investimento planejado para o festival cultural.
Na área da saúde, outra mudança tem gerado desconforto. O município, que anteriormente contava com estrutura laboratorial própria para a realização de exames, passou a coletar materiais para que sejam processados em Barra do Garças. A falta de explicações claras sobre os motivos dessa alteração e os impactos para os pacientes agrava o descontentamento popular.
Enquanto os problemas estruturais e de serviços públicos se acumulam, o prefeito mantém uma intensa mobilização política. O gestor tem se dedicado ao apoio de candidatos nas eleições deste ano, incluindo nomes para o Legislativo e para o Governo do Estado. Para este sábado (29), inclusive, está agendada uma reunião política com a participação da população.
Embora o apoio político seja um direito assegurado, a situação exige atenção quanto à lisura dos processos. É fundamental que as atividades eleitorais sejam custeadas exclusivamente por recursos particulares ou partidários, sem o uso indevido de veículos, combustíveis, servidores ou qualquer estrutura pertencente ao patrimônio público municipal.
A administração municipal ainda deve explicações sobre o valor da dívida que causou o corte de energia, as medidas para normalizar o abastecimento de água e a justificativa para a redução dos serviços laboratoriais. A população questiona se os recursos do festival possuem destinação específica ou se poderiam ter sido remanejados para suprir carências básicas.
O debate não se trata de ser contra a cultura ou o lazer, mas sim de exercer o direito básico de fiscalização sobre o uso do dinheiro público. Diante do acúmulo de falhas na prestação de serviços essenciais, a pergunta que permanece para os gestores de General Carneiro é clara: qual é a real prioridade da administração?
Fonte: midianews.com.br


