terça-feira, 15/09/2026
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Investigado por suspeita de tráfico de influência, Lulinha frequentou o Planalto 18 vezes desde 2023

Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, realizou pelo menos 18 visitas ao Palácio do Planalto desde o início de 2023. O registro dessas entradas ganha relevância diante dos inquéritos instaurados pela Polícia Federal (PF) que apuram possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Conforme os registros de controle de acesso, as visitas ocorreram em 15 datas distintas entre junho de 2023 e janeiro de 2025. O tempo de permanência no prédio variou entre 19 minutos e mais de quatro horas, totalizando cerca de 23 horas e 26 minutos de presença no local. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pelos dados, esclareceu que os motivos específicos e os locais exatos das reuniões não são detalhados nos registros oficiais.

A defesa de Lulinha, representada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, minimizou as idas ao Planalto. Segundo o defensor, o empresário compareceu ao local apenas para visitar o pai e amigos, como o secretário do presidente, conhecido como Marcola. Carvalho questionou o teor da polêmica, afirmando que Lulinha nunca tratou de temas administrativos durante esses encontros.

Em posicionamento oficial, a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República reforçou que as visitas tiveram caráter estritamente privado. O órgão assegurou que não houve qualquer discussão sobre assuntos relacionados à administração pública e, consequentemente, que os encontros não geraram desdobramentos administrativos.

No entanto, a frequência de Lulinha no Planalto é analisada pela Polícia Federal em conjunto com mensagens interceptadas que sugerem uma atuação próxima a lobistas. Em um dos diálogos, datado de 22 de março de 2024, a lobista Roberta Luchsinger comenta com Lulinha sobre o nível diferenciado de trabalho da dupla e menciona um futuro na Suíça. Na mesma conversa, o filho do presidente relata participar de reuniões com figuras influentes, como Marcola e Swedenberger Barbosa, o Berger, que na época ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde.

A investigação aponta que Berger teria facilitado o acesso ao Ministério da Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Este empresário tentou viabilizar um contrato milionário para a compra de cannabis medicinal pelo SUS. Roberta Luchsinger teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão de Careca, sendo que, em uma das transações, o empresário indicou que o valor seria destinado ao “filho do rapaz”, termo que os investigadores associam a Lulinha.

Além das suspeitas envolvendo contratos, a PF apura a relação entre a lobista e o ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola. Mensagens mostram discussões sobre a compra de joias, incluindo um colar de diamantes. A defesa de Marcola alega que os itens faziam parte de um empréstimo de R$ 249 mil feito junto a Roberta, o qual teria sido quitado posteriormente com juros.

Outros registros indicam que Lulinha orientava Roberta sobre questões comerciais. Em julho de 2023, o empresário pediu que a lobista convidasse o ex-ministro Carlos Eduardo Gabas para um encontro na Bahia. Na ocasião, Lulinha também instruiu Roberta a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas, proprietário da empresa 3Structure It Ltda, que acumulou mais de R$ 80 milhões em contratos com o governo federal. A lobista confirmou a emissão do documento, e a PF aponta que, pouco tempo depois, o empresário solicitou uma reunião direta com o filho do presidente.

Fonte: rdnews.com.br

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