segunda-feira, 14/09/2026
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Amamentar oferece proteção contra doenças cardiovasculares em mulheres

A prática da amamentação está associada a uma diminuição de cerca de 11% na probabilidade de a mulher desenvolver enfermidades cardiovasculares, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O impacto positivo na saúde materna está diretamente relacionado à duração desse período de aleitamento.

Alexandra Oliveira de Mesquita, vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, explica que o benefício é notável em períodos de cerca de 18 meses de amamentação. Segundo a especialista, mulheres que amamentam por mais tempo apresentam uma redução de 12% no risco de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) e de 14% no risco de infarto. A médica ressalta, contudo, que a ausência da amamentação não implica, por si só, um aumento de risco para essas patologias.

Durante a gestação, o corpo feminino passa por alterações hormonais significativas, como o aumento da resistência à insulina e a elevação dos níveis de lipídios e colesterol, especialmente o LDL, conhecido como colesterol ruim. A lactação, por outro lado, promove o que os especialistas chamam de reset metabólico. Esse processo auxilia na regulação dos níveis de açúcar no sangue, melhora a sensibilidade à insulina e utiliza a glicose, o que contribui para a prevenção do diabetes.

Além disso, o período de amamentação proporciona um alívio ao sistema cardiovascular, reduzindo a pressão arterial e a frequência cardíaca, o que diminui o esforço do coração para bombear o sangue. Hormônios liberados durante essa fase, como a ocitocina, a prolactina, os glicocorticoides, a grelina e o hormônio do crescimento, atuam como agentes protetores do miocárdio contra possíveis lesões.

A ocitocina, frequentemente referida como o hormônio do amor, desempenha um papel central nesse mecanismo. Ela protege o coração contra a privação de oxigênio ao ativar receptores cerebrais e vias ligadas à produção de energia celular, criando uma barreira adicional de cardioproteção. Esse processo também favorece a melhora da função endotelial, que é a saúde da parede interna das artérias, e promove a vasodilatação, otimizando a circulação sanguínea da mãe.

A SBC destaca que, na gravidez, o organismo acumula reservas de gordura de forma natural. A lactação utiliza esses depósitos, o que reduz diretamente os riscos de doenças cardíacas e infartos. Alexandra Mesquita alerta que as doenças cardiovasculares representam 33% da mortalidade feminina, um índice superior ao de mortes causadas pelo câncer de mama. A cardiologista enfatiza que a doença cardiovascular é responsável por um número de óbitos sete vezes maior do que o câncer de mama entre as mulheres.

Embora fatores de risco como diabetes, hipertensão e sedentarismo sejam comuns a ambos os sexos, eles podem ser mais severos nas mulheres. Existem, ainda, fatores de risco específicos do sexo feminino, como a menarca precoce ou tardia, a menopausa antes dos 45 anos, a presença de endometriose ou ovários policísticos, o uso de anticoncepcionais orais e complicações gestacionais, como hipertensão induzida pela gravidez, diabetes gestacional ou o nascimento de bebês com baixo peso.

O Dia Internacional da Amamentação, celebrado em 1º de agosto, reforça a importância da Semana Mundial do Aleitamento Materno 2026, que traz como tema Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona. A campanha, coordenada pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA), busca proteger e promover o aleitamento como um pilar para um futuro mais saudável para mães, crianças e toda a comunidade.

Fonte: jornaldematogrosso.com.br

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