domingo, 12/07/2026
Publicidade
Fiscalização Parte 2 Cidade Limpa

Mato Grosso entra em alerta após aumento do risco de El Niño muito forte durante a safra 2026/27

Mato Grosso, maior produtor de soja, milho e algodão do país, entrou em estado de alerta após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevar de 63% para 81% a probabilidade de o atual El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano.

A atualização, divulgada nesta quinta-feira (9), aumenta a preocupação do setor agropecuário, já que o período coincide com o início do plantio da safra 2026/27. A previsão é de temperaturas acima da média, chuvas irregulares, estiagem prolongada e maior risco de incêndios florestais.

No mês passado, a NOAA confirmou oficialmente o retorno do fenômeno. Agora, a agência informa que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial ganhou força nas últimas semanas e pode colocar este episódio entre os mais intensos desde o início dos registros, em 1950. A expectativa é de que o El Niño permaneça ativo pelo menos até abril de 2027.

Impactos no campo

Historicamente, o El Niño provoca redução das chuvas no Centro-Oeste e elevação das temperaturas, fatores que podem comprometer o calendário agrícola em Mato Grosso.

Segundo especialistas, o atraso na regularização das chuvas pode dificultar o início do plantio da soja, reduzir a janela ideal para a segunda safra de milho e elevar os custos de produção, principalmente com irrigação, manejo das lavouras e consumo de energia elétrica.

A principal preocupação dos produtores é com a produtividade. Caso a estiagem se prolongue, as lavouras podem apresentar menor rendimento, comprometendo a rentabilidade da safra.

Ondas de calor e eventos extremos

Além dos impactos sobre a agricultura, o fenômeno também deve favorecer a ocorrência de ondas de calor mais intensas e frequentes.

De acordo com o meteorologista Tércio Ambrizzi, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEA-USP), o El Niño altera a circulação atmosférica e aumenta a probabilidade de eventos climáticos extremos.

“O El Niño acaba favorecendo essa intensidade em algumas regiões que são mais sensíveis à mudança de circulação atmosférica que ele gera. Também favorece o aumento do número de ondas de calor, embora o próprio aquecimento global já esteja contribuindo para isso”, afirmou.

Apesar da alta probabilidade de um episódio muito forte, os especialistas destacam que isso não significa, necessariamente, que os impactos serão iguais aos registrados em eventos anteriores. Os efeitos dependerão da distribuição das chuvas e da duração dos períodos de seca.

Mercado e energia

No cenário internacional, os elevados estoques mundiais de grãos ajudam a reduzir a preocupação com oscilações bruscas nos preços, mesmo diante da possibilidade de perdas localizadas de produção.

Já no setor elétrico, o monitoramento também foi intensificado. Com a redução das chuvas sobre parte do Centro-Oeste, aumenta o risco de queda nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, maior acionamento de usinas termelétricas e eventual adoção de bandeiras tarifárias mais caras.

Siga nossa rede social

2,000FollowersFollow

Últimas notícias